Escolhidas a dedo para você ouvir!

sábado, 6 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher - 08 de março

Na minha escola é comum a direção e a orientação nos proporcionarem momentos de "mimos". São gestos que fazem a DIFERENÇA: uma mensagem no ponto, um BIS, uma balinha, um sorvete para refrescar, um lanchinho, uma festa... Desse vez, fomos homenageadas com esse mural gracinha:




Dentro de cada florzinha, o nome das mulheres que fazem a história do Hauler. Lindo demais!!!

quarta-feira, 3 de março de 2010

As crianças aprendem aquilo que vivem.




Há alguns dias recebi um e-mail de uma amiga de profissão com esse vídeo. Lembrei-me de uma palestra sobre Educação em Valores Humanos da qual participei, em dizíamos exatamente que A CRIANÇA APRENDE PELO QUE VÊ, NÃO PELO QUE FALAMOS. E, como nada acontece por acaso, pedi o material escolar da minha priminha de 7 anos emprestado e dei de cara com uma mensagem que é o título desse post.

Se uma criança vive criticada,
aprende a condenar.
Se uma criança vive com maus tratos,
aprende a brigar.
Se uma criança vive humilhada,
aprende a se sentir culpada.
Se uma criança é estimulada,
aprende a confiar.
Se uma criança é valorizada,
aprende a valorizar.
Se uma criança vive no equilíbrio,
aprende a ser justa.
Se uma criança vive em segurança,
aprende a ter fé.
Se uma criança é bem aceita,
aprende a respeitar.
Se uma criança vive na amizade,
aprende a ser amiga,
aprende a encontrar o amor no mundo.
(Perdoem a falta da citação, mas não encontrei-a.)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

As mãos que afagam, muitas vezes são as que também machucam.




Rio de Janeiro, 27 de fevereiro de 2010.
1h 21min


Não vou querer me despir da dor que está em meu peito agora, nem do mar que chega a meus olhos no momento em que escrevo esse texto. São eles, além de minha indignação, que nortearão cada ponto e cada vírgula aqui presentes.
Já comentei que o professor tem que segurar muitos trancos no exercício de sua profissão. Muitas vezes somos nós, que mesmo em salas de aula lotadas, não conseguindo dar atenção decente para todos, percebemos o quanto a violência contra a criança ainda é algo assustador no Brasil. Contrariando o ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente, que em tese levaria à criança o seu amparo total, o que se percebe é o crescimento da violência contra ela.
Certa vez, percebendo a mãozinha de um aluno meu com cicatriz de queimadura, perguntei-lhe o que havia acontecido. Na hora, percebi que ele desviou o olhar e, com pesar, disse que se queimara fazendo café. Guardei a fala dele para, num outro momento, trabalhar a questão da exploração infantil. Ainda que concorde que colocar as crianças para ajudarem na rotina do dia-a-dia com tarefas simples e não perigosas seja algo saudável, ensinando-lhes sobre cooperação, colocar uma criança de apenas 7 anos para fazer café é demais! Mas ao lembrar do momento em que lhe perguntei sobre o que havia acontecido, algo me intrigou naquele pesar presente nos olhos do menino. Fiquei de olho! Sempre solicitava a presença de algum responsável, mas passei um ano inteiro sem conhecer qualquer membro da família dele. Tentei entrar em contato por telefone, mas não obtive sucesso nas tentativas.
Como havia me apaixonado por essa turma, resolvi acompanhá-la por mais um ano. Eis que na primeira reunião escolar, apareceu a avó desse menino. Era a primeira vez que alguém responsável por ele aparecia na escola. Iniciei uma conversa agradecendo a presença dela ali e elogiando o menino, que era uma criança adorável e esforçava-se para superar todos os obstáculos, sendo um ótimo aluno. A avó pediu desculpas pela ausência, justificando que trabalhava demais e que estava em briga judicial com a sua filha, pela guarda dele. Considerando o fato estranho, demonstrei curiosidade pelo caso. Ouvi, estarrecida, a avó relatar que a filha dela, juntamente com o padastro do menino, haviam colocado a mão dele na chapa, o que provocou queimaduras gravíssimas. Como a avó só tomou conhecimento do caso horas depois, o menino demorou a receber atendimento. Não consegui ouvir tal história sem me emocionar. Então era esse o motivo daquele olhar perdido enquanto ele contava algo que talvez tenha sido induzido: que fora fazendo café que provocara a queimadura.
Fiquei pensando a respeito, tentando imaginar quantos casos de violência passam despercebidos pelo olhar do professor em sala de aula... Quantos dos nossos alunos não trazem em sua vivência as marcas de uma violência que nem sempre se faz física? ... Emocional ou corporal, o que cumpre sinalizar é que precisamos estar atentos aos sinais que as crianças nos trazem: estarem muito retraídas ou muito agitadas, não brincar, desconversar quando se pergunta algo sobre a família, tristeza contínua, enurese, baixo rendimento, desinteresse etc.
Uma vez que se observe casos de violência física, emocional e de abusos sexuais, é preciso chamar a família, fazer a anamnese e caso o problema persista, cabe a escola denunciar ao Conselho Tutelar, esperando que providências sejam tomadas.
Casos que são levados ao socorro emergencial, obrigatoriamente, devem ser denunciados pelos médicos, aos organismos responsáveis pela proteção adequada do menor. Os médicos devem informar às famílias diretamente sobre a denúncia que será feita, explicando que se trata de um esforço para esclarecer a situação e obter ajuda para a criança e sua família.
O abuso físico é, geralmente, repetitivo e sua severidade tende a aumentar a cada nova investida. Qualquer lesão suspeita deve ser adequadamente investigada, considerando-se a incerteza quanto à possibilidade de acontecer uma nova chance de intervenção, além da prevenção contra consequências mais graves.
O local mais acometido pelos maus-tratos no corpo da criança e do adolescente é a pele. Tipos de lesão incluem desde vermelhidão, equimoses ou hematomas até queimaduras de 3º grau. É comum haver marcas do instrumento utilizado para espancar crianças ou adolescentes: elas podem apresentar forma de vara, de fios, de cinto ou até mesmo da mão do agressor.
Um outro dado que merece nossa atenção é saber que a violência contra a criança está presente em todas as camadas sociais, e não somente, como equivocadamente pensam alguns, nas classes menos favorecidas.
O assunto nos abre um leque de possibilidades de discussões, mas por agora, deixo um pedido aos colegas de profissão: estejam atentos! Muitas vezes, ficamos receosos de tomar atitudes que possam prejudicar ainda mais a criança, tal como a retirada de seus lares e a ida para abrigos, o que provocará mais danos ao seu já fragilizado sistema emocional. Mas não podemos nos esquecer que precisamos ter um olhar e uma escuta muito sensíveis para essas crianças, o que já é uma intervenção.

Art. 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente - É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. (…)


“A palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes”.
(Albert Einstein)



Puxão de cabelo, com possibilidade de trauma no couro cabeludo.




Síndrome da criança sacudida (Shaken Baby Syndrome), com possibidades de hemorragias intra-cranianas.




Criança amarrada e amordaçada.



Criança com marcas de cordas amarradas no pulso.




As queimaduras por cigarro são geralmente feitas nas palmas das mãos, solas dos pés e nádegas. Queimaduras em vários estágios de evolução indicam abusos frequentes.



As queimaduras por utensílios domésticos aquecidos como garfos, facas, colheres são frequentes. Na ilustração, queimadura típica por ferro elétrico.



A cabeça é das regiões do corpo uma das que mais sofre agressões.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

De Clarice Lispector, Mudança

"Veja o mundo de outras perspectivas :: Ame a novidade :: Tente o novo cada dia :: Busque novos amigos :: Tente novos amores :: Faça novas relações :: Só o que está morto não muda! :: Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco :: sem o qual a vida não vale a pena!!!"

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Atividades de Vivamática.

Olá galerinha. Estou postando umas atividades que preparei para divertir as aulas de Matemática, que eu aprendi a chamar de Vivamática. Quem ensinou??? Ziraldooooooo!

Ah, eu faço montagem de duas atividades de uma mesma matriz na folhinha, pois ao recortar, fica tudo ajeitadinho no caderno dos pequenos.




domingo, 21 de fevereiro de 2010

Diário de uma professora. É para rir ou chorar?

Segue um textinho escrito depois de um dia de muito trabalho e algumas fotos do que para nós ficou marcado como verdadeira união de equipe.

Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 2010.
Por volta das 18h

Diário de uma professora. É para rir ou chorar?

Hoje foi o primeiro dia de experimentação do trajeto Nova Iguaçu/Jacarepaguá no tal famoso horário do rush. Depois de um dia em que também experimentei novidades, como raspar e pintar paredes de salas de aula (coisa boa para aprender a valorizar ainda mais o trabalho dos pedreiros e pintores), de em função disso estar com certo desconforto lombar, de passar calor num daqueles dias onde o Rio de Janeiro parece estar inteirinho dentro de uma estufa, saí da escola municipal às 17h para baldear em três conduções: uma van, o trem e o ônibus.
Eu queria aquecer a cabeça de quem me enganou dizendo que existe um tal de “contra-fluxo”, que nesse horário o trem é tranquilo... Peguei o trem mais ou menos às 17h 30min, e posso dizer que parecia o inferno. Aquele inferno que as pessoas nos contam e que a gente cresce acreditando: onde tudo parece fumegar. Eu, que procuro ser gentil com as pessoas, sempre me dou mal... É um empurra, empurra que dá até medo. Passado o susto de ficar do lado de fora, é hora de aturar a inhaca dos trabalhadores, depois de um dia inteiro de luta, se espalhando pelos vagões. Além disso, é hora de preparar os ouvidos, pois os camaradas que querem garantir o dindim do dia, passam gritando os seus pregões, vendendo até a mãe. E eles fazem isso bem nos nossos ouvidos.
Sentar? Ih, esquece! Isso é artigo de luxo! Então a gente segue, sacudindo e ouvindo por tabela, o papo daqueles caras que se acham malandros, repetitivos em suas falas de “TÁ LIGADO?!”
Finalmente minha hora de partir. Até que na minha estação tudo já estava mais ou menos tranquilo. Parto em direção a terceira condução, em Madureira, famosa pelos seus camelódromos. De repente, gritos e correria – É O RAPA!!! É O RAPA!!! Meu ônibus chega. Depois de algum tempo, com sorte consigo um lugar. Retiro meus instrumentos de trabalho enquanto aprendiz de cronista, e começo a escrever...
Cheguei aqui, na verdade bem onde queria tocar: como se não bastasse o professor, em muitos momentos assumir papéis de médico, enfermeiro, psicólogo, pai, mãe, advogado, artista, malabarista e tudo o mais, agora ele também precisa assumir o papel de pedreiro e pintor.
Que fique aqui muito claro que no caso da nossa escola, a pintura das salas não foi imposição de ninguém, mas sim uma solicitação do próprio grupo de professores. Por quê?
Talvez porque nos cansamos de esperar pela prefeitura; ou ainda porque não queríamos iniciar o ano letivo com as salas do jeito que estavam; talvez porque acreditamos que tanto nós, como nossos alunos, mereçam pelo menos o respeito de um lugar decente para as trocas nas aulas...
Sabemos que muitos de nossos colegas nos dirão: “Vocês são bobos! Tinham era que deixar do jeito que estava! Isso é trabalho da prefeitura!!!” Mas não temos medo de parecermos bobos. Nosso único medo é o de passar um ano sem estímulo dentro de uma sala em que se nem nós temos prazer, que dirá a criança.
Foi um dia em que pintamos o sete, esquecendo nossas alergias, nossa falta de habilidade para o trabalho de artista e até mesmo a indignação de saber que a prefeitura não está mesmo nem aí. Mas o resultado, ah o resultado (!), foram salinhas com um jeitinho todo nosso, onde teremos prazer para mais um ano letivo.
No final de tudo isso, chegando em casa e, ainda sentindo o desconforto passando pelo corpo, me perguntei se um dia desses era para rir ou para chorar. Preferi rir, mas não da piada que fazem com a educação no Brasil, pois esta não tem a menor graça.



Vejam bem se tínhamos ou não razão? Tem condições de ser feliz numa sala assim???



Definitivamente, não merecíamos isso em 2010!!!




Que professor consegue? Que aluno consegue? Talvez o prefeito consiga, quem sabe?!



Dani e Jaque nos retoques. Valeu, meninas!!!



Nossa eterna contadora de histórias colocando a mão na massa. Valeu, Taninha!



Ao professor Glayson, que nos orientou na pintura, nossa gratidão.



Dani, Tati e Jana pintando o sete na sala... Valeu, meninas!!!




Caramba! Como dói o braço!!!



Manu na sua contribuição. Valeu, garota!!!



Apesar da rinite alérgica, eu gostei de raspar a parede.




Raquelzinha não podia colocar a mão na massa, então colocou a mão nos trabalhos manuais. Valeu, menina!



Rê, Jaque, Taninha e eu. E era só a metade do trabalho...



E o trabalho não foi realizado num dia só... Eu e Rê pintando o sete!



Dinah, entre um trabalho e outro, fotografando tudo.




Agora é só comparar e dizer se valeu ou não a pena!




Nossa, muito gracinha! Assim o professor tem mais estímulo! Que venha 2010!!!




O mural feito pela Hildinha e pela Tati. Que gracinha!!!



É assim que queremos o nosso 2010, porque, como diz Caetano: GENTE É PRA BRILHAR!

Agora é pra valer! O ano começou!!!

Acabou o Carnaval, e enfim o ano começa (rs)
Para nos lembrar que romper paradigmas é essencial para avançarmos, trago Fernando Pessoa:

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas já usadas, que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia,e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".



Com o desejo de que possamos nos abrir para novas ideias, novos caminhos e novas propostas, deixo aqui o meu carinho.

Um excelente retorno a todos!

UNIÃO.




Seremos muito mais se nos permanecermos JUNTOS!

EU NÃO SOU VOCÊ, VOCÊ NÃO É EU - MADALENA FREIRE




Agradecendo a minha orientadora Hilda Santos pela partilha do maravilhoso texto EU NÃO SOU VOCÊ, VOCÊ NÃO É EU, de Madalena Freire, deixo para vocês as muitas reflexões que essa leitura proporciona.


EU NÃO SOU VOCÊ, VOCÊ NÃO É EU

Eu não sou você
Você não é eu
Mas sei muito bem de mim
Vivendo com você.
E você, sabe muito de você vivendo comigo?
Eu não sou você
Você não é eu.
Mas encontrei comigo e me vi
Enquanto olhava pra você
Na sua, minha insegurança
Na sua, minha desconfiança
Na sua, minha competição
Na sua, minha birra infantil
Na sua, minha omissão
Na sua, minha firmeza
Na sua, minha impaciência
Na sua, minha prepotência
Na sua, minha fragilidade doce
Na sua, minha mudez aterrorizada
E você se encontrou e se viu, enquanto olhava pra mim?
Eu não sou você
Você não é eu.
Mas foi vivendo minha solidão
Que conversei com você
E você, conversou comigo na sua solidão?
Ou fugiu dela, de mim e de você?
Eu não sou você
Você não é eu
Mas sou mais eu, quando consigo lhe ver.
Porque você me reflete
No que eu ainda sou
No que já sou e
No que quero vir a ser…
Eu não sou você
Você não é eu
Mas somos um grupo, enquanto somos capazes
de, diferenciadamente,
eu ser eu, vivendo com você e
você ser você, vivendo comigo.
( Madalena Freire)

A PAIXÃO DE CONHECER O MUNDO

Há meses tinha separado alguns materiais que considerava essenciais para a nossa partilha, mas estava sempre naquela sórdida desculpinha da “falta de tempo”... Num final de semana em que fui forçada a aquietar o corpo em casa por estar com uma infecção na garganta, quis tornar meu tempo útil e fui mexer nos meus papéis. Eis que dei de cara com muitas anotações do maravilhoso livro A PAIXÃO DE CONHECER O MUNDO, da Madalena Freire, filha do renomado educador Paulo Freire.
Fica aqui a indicação dessa leitura, que é mesmo algo apaixonante.



A paixão de conhecer o mundo: relatos de uma professora

Madalena Freire
São Paulo: Editora Paz e Terra, 2003.
Publicado em 1983, este livro está em sua 16ª edição. Este é um testemunho de quanto o seu conteúdo se mantêm conectado ao pensamento contemporâneo. De forma viva e amorosa Madalena relata sua prática na Educação Infantil, trazendo suas reflexões e as das crianças. Desenhos, textos coletivos, histórias, "lições", contam a processualidade movente de ser educadora. Segundo a autora, os dois primeiros relatórios "retratam uma prática ainda presa a uma visão menos dinâmica, talvez mais fria, em que a preocupação maior estava em mencionar o eixo do trabalho, seus objetivos, etc." A vida "pouco tropeça neles". Mas o fluxo da inquietude, da curiosidade, do desejo de compreender o próprio processo de ensinar e aprender impulsionou Madalena para ações que ressoam em seus relatórios.
Considerando o ato de conhecer tão vital como comer ou dormir, Madalena revela em ações a sua indignação com aquela escola que acredita que o conhecimento pode ser doado. Suas ações, relevadas também pelas produções e vozes das crianças, descancaram que "a busca de conhecimento não é a preparação nada, e sim VIDA, aqui e agora. E é esta a vida que precisa ser resgatada pela escola."
A paixão de conhecer o mundo levou Madalena para lidar com crianças de classes populares em Vila Helena e para a criação dos grupos de reflexão, do qual se origina o Espaço Pedagógico. Este livro deixa entrever a educadora em princípio de carreira, lidando com o coração da educação que a mantêm hoje com a mesma paixão de ensinar e aprender, e com a mesma amorosidade ofertada aos que com ela convivem neste processo.