Escolhidas a dedo para você ouvir!

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sábado, 12 de junho de 2010

Como é bom descobrir que pouco sei. Eu, criança e eterna aprendiz.


Na semana passada vivenciei uma experiência que quero partilhar com vocês. Novata na rede municipal do Rio de Janeiro, estou tendo a oportunidade de conviver com pessoas que já estão na rede há muito tempo, que nunca pisaram os pés numa sala de aula, que seguem tentando acertar, que seguem achando que já sabem o suficiente e fecham a entrada para o novo...
Uma colega que faz parte do grupo que nunca pisou numa sala de aula antes, assumindo regência de turma há dois meses e pouquinho, entra na sala de professores entristecida. Ao comentar sobre o que provocara tal carinha, emociona-se e deixa vir aos olhos o mar que desejava derramar desde que havia assumido na rede. As palavras que poderiam resumir aquela dor chamam-se angústia e ansiedade. A fala da colega tinha a ver com o tempo. Achava que suas "falhas" tinham a ver com o pouco tempo que tinha no magistério, e parecia se culpar por isso. Parei para ouví-la, tentando reconfortar com um comentário que muito uso:
Professor que não se angustia, é professor que não trabalha.

O tempo de magistério nos permite sim uma bagagem que irá ajudar em muitas situações, mas também (e digo INFELIZMENTE) pode cristalizar conceitos, impedir novas buscas e paralisar nossa prática. Aquele que se detém somente na fala do ISSO EU JÁ SEI /É ASSIM QUE DEVE SER, é aquele que não está aberto às novas descobertas. É aquele que passa pela vida se sentindo detentor do saber, e que não se vê como um mediador que irá PROVOCAR situações para promover aprendizagens. É preciso ouvir nossas crianças, suas curiosidades, seus conhecimentos, seus anseios. Esse sistema vertical que insiste em nos rodear, só será mudado no dia em que a educação estiver nas mãos daquele que se angustia; no dia em que nossos políticos e nossas secretarias de educação anteciparem a palavra COMPROMISSO EDUCACIONAL à palavra politicalha.

Para a colega, o reconforto que pude dar e no qual acredito, foi dizer que GRAÇAS A DEUS AINDA HOJE, com quase vinte anos de magistério, ainda me percebia muito engatinhando. E que quando pulsava em mim aquela angústia e aquela ansiedade que naquele momento ela sentia, eu agradecia. Agradecia porque percebia que eu não estava paralisada, mas sim buscando mudanças para transformar a minha prática.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

SOBRE DIREITOS E DEVERES.

Há tempos venho cantando a mesma pedra: trabalhar com a noção de regras e limites não é fácil, mas faz-se EXTREMAMENTE importante.
Postei numa comunidade de relacionamento umas dicas que deram (e dão)certo para mim, e claro, estou partilhando também no BORBOLETANDO.


Nossas crianças não deixam de nos amar por sermos exigentes quanto ao bom comportamento. Não desanime! Ajudar as crianças a entrarem num ritmo de respeito ao próximo, é tarefa diária. Muita gente se cansa, preferindo fingir que não está vendo. E os resultados desse fechar de olhos, temos visto diariamente presentes nas irresponsabilidades no trânsito, com os bens públicos, com a natureza, com seres humanos...
A noção de ser AUTORIDADE tem que ser trabalhada com eles o tempo todo mesmo. Isso é completamente diferente de ser AUTORITÁRIO.


















Uma das coisas mais importantes que devemos fazer, principalmente nOs primeiros dias de aula, é o BLOCÃO COM AS REGRAS DA TURMA. Quem não quiser chamar de REGRA, pode chamar de COMBINADO, usar símbolos como a mãozinha para cima e a mãozinha para baixo, carinha triste, carinha feliz, ou até mesmo, brincar com a tal da fala da comediante: ISSO PODE, ISSO NÃO PODE. Uma vez trabalhada a noção de direitos e deveres, uso o termo: VOCÊ ESTÁ PERDENDO O DIREITO DISSO PQ... (É muito importante a criança saber o motivo NA HORA em que descumpriu o combinado). Pode-se até organizar fichas para marcar atitudes positivas e negativas, que podem ir somando ou diminuindo uma pontuação determinada. Na escola em que trabalhei, eles começavam o bimestre com 20 pontos. À medida em que tivessem marcações, iam perdendo pontos. Tínhamos tópicos como: FALTOU COM O RESPEITO AO PROFESSOR; FALTOU COM O RESPEITO AO COLEGA; ATRASO; DESCUIDO COM MATERIAL; ATIVIDADE DE CASA NÃO REALIZADA.

Uma coisa que utilizo muito com meus alunos é uma brincadeira de CLASSE e ELEGÂNCIA. Quando eles começam a correr ou empurrar, digo logo a frase: "Mas nessa atitude aí existe CLASSE e ELEGÂNCIA? Eles rapidinho se ajeitam, começando a desfilar quase que em câmera lenta. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Hoje, num dia em que estavam muito agitados, inventei uma ideia de COROAR o grupo que melhor se compartasse. Como foi algo que nasceu ali, trabalhei com desenho. Fiz a coroa lá no quadro, pedi para os dois grupos escolhidos se darem um nome e deixei os nomes dos integrantes expostos no quadro. Estabelecemos que se houvesse mau comportamento de algum integrante, a coroa seria perdida, e eles perderiam o trono; assim, outro grupo poderia pegar a coroa. Funcionou tanto, que vou levar as coroas de cartolina colorida para a sala na semana que vem.

Uma outra ideia bacana é a de uma PLAQUINHA DE LICENÇA. Adotava na escola que trabalhava, e na semana que vem levarei também para a minha nova turminha. Funciona assim: eles confeccionam as placas de licença com um material resistente ( papelão, papel cartão ou outro que você tenha); nós fazemos dois furos para que passem o barbante, pois a placa será pendurada no pescoço. Os meninos fazem a deles e as meninas fazem a delas. Como as turmas no município são bem maiores, é bom que se faça logo duas para cada grupo. Eles enfeitam as placas como quiserem ( colagem, desenhos, adesivos etc - tem que caracterizar o gênero MASCULINO e FEMININO, pois servirá como identificação). Então, quando alguém quiser ir ao banheiro ou beber água, basta pegar a placa e ir. O outro colega que quiser ir, saberá se a placa está sendo usada ou não.

É importante sabermos:
* No começo, é óbvio, eles vão querer pegar a plaquinha toda hora. É uma novidade! Mas depois será algo muito normal.

* Estabeleça um COMBINADO com eles, como:
1) Na hora em que uma explicação estiver sendo dada, segure a ida ao banheiro um pouquinho.

2) Se for um caso urgente, de não estar aguentando segurar, e a plaquinha estiver sendo usada, pode ir sem ela.


Outra coisa que faço e dá certo é o seguinte: quando estão muito agitados, vou cantando uma música calminha ( ex: PEDALINHO ou CIRANDA DO ANEL, ambas "da" Bia Bedran). É mágicooooooooooooo!

Uma fala boa: Vamos ouvir o silêncio??? ( rs! ) Funciona!

Se me permite, gostaria apenas de fazer uma colocação em relação a uma atitude que praticamos em muitos momentos que não é positiva: colocar a criança para pedir desculpa e abraçar o colega com quem ela acabou de brigar. Vou explicar o motivo ( e isso é fundamentado na área da Psicologia): Se ela está com raiva naquele momento, ela só vai pedir desculpas porque estamos pedindo que ela faça isso. Não será algo verdadeiro, assim como o pedido de desculpas também não será. O melhor a fazer nesse momento, é esperar a criança se acalmar, pontuando a atitude que teve e ajudando-a a refletir que realmente ofendeu, ou mesmo machucou o colega. Ela mesma chegará a conclusão de que agiu errado, pedindo desculpas. Claro que isso não é um trabalho de passe de mágica. É tarefa diária e contínua.


Tudo aquilo que fazemos de maneira consciente, no sentido de ajudar nossas crianças a entenderem as regras que sempre encontrarão pela frente, é válido.

Beijos e a todos, com o desejo de um excelente final de semana!!!

*É forte a lição da tirinha abaixo:

domingo, 23 de maio de 2010

ATENÇÃO BLOGUEIROS E EDUCADORES, TODO DIA É DIA DE CONSCIENTIZAR!





















DE 01 A 05 DE JUNHO - SEMANA DO MEIO AMBIENTE

DESDE JÁ VAMOS CONSCIENTIZAR NOSSOS EDUCANDOS E LEITORES PARA A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DE NOSSA CASA: O PLANETA TERRA. PELA QUALIDADE AMBIENTAL DESSE PLANETA AZUL E LINDO, SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS!

domingo, 9 de maio de 2010

Rio sem discurso


















Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.
O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloquência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.


(João Cabral de Melo Neto)

As imagens do post são, respectivamente: Ibitipoca (Minas Gerais)e Carneiros(Pernambuco)

sábado, 3 de abril de 2010

É preciso muito mais que olhar...

Hoje lembrei de algo que me comoveu muito no ano passado. Resolvi partilhar com vocês o texto que escrevi. Creio que trará momentos de reflexão.


Rio de Janeiro, 13 de junho de 2009 – às 2h 43min


É preciso muito mais que olhar...

É que todos os dias ela entrava um pouco mais tarde que os outros... E todos os dias sentava-se no último lugar... E toda vez que aparecia, estava sempre com aquele olhar de tristeza, com aquele olhar de quem não estava com vontade de nada, com aquele olhar de quem apenas gritava um pedido silencioso de SOCORRO. Havia algo que a incomodava, e foi a mim que ela escolheu para partilhar a sua história. Mas para isso, era preciso que dentre 35 crianças, houvesse a sensibilidade no olhar para notá-la e para compreender os motivos que tanto a angustiavam.
Não foi uma conversa fácil. Ela estava com raiva. Aqueles olhos de apenas oito anos de vida, naquele momento pareciam ter 80. Oitenta anos de uma vida sofrida, de uma vida que não fez crescer uma criança que mais tarde pudesse lhe dar a mão quando o adulto balançasse. Pensei que talvez ali, naquele instante, eu pudesse ser a pessoa que mudaria a história de vida dela, e quis saber de tudo o que lhe afligia. E ela então despejou aquele sofrimento, que de tão silencioso já era escancarado. Estava triste porque não tinha nada. As palavras eram dela: “Não tenho nada para vir para cá. Não tenho lápis, não tenho cola, não tenho tesoura... Não tenho a minha pastinha! Ela falou que ia comprar o meu material e não comprou!!!” Ela, a mãe, pessoa que naquele instante era o motivo de toda aquela amargura. Amenizei a situação dizendo que “ela” estava passando por alguma situação difícil, motivo que fez com que não comprasse o material até então. Pedi paciência e emprestei tudo meu para ela usar naquele dia. Um sorriso, ainda que triste.
Dias seguintes, aquele olhar perdido ainda se fazia presente... Mais alguns dias e a mãe da menina procurou por mim para esclarecer um fato ocorrido, pedindo para que eu conversasse com ela. Lá vou eu de novo, enfrentar o olhar de raiva, de tristeza e de amargura. Dessa vez foi ainda mais complicado. Complicado por envolver um turbilhão de sentimentos, que nesta altura do campeonato não eram somente dela. Eram meus também. Para a pergunta que lhe fiz, sobre como estava sendo sua alimentação em casa, não ouço a resposta. Apenas vejo os olhos mareados, a boca torcida demonstrando raiva, e um silêncio que me parecia uma eternidade. Pensei que havia tocado na ferida. Depois do instante eterno, então ouço ( e vale lembrar que são palavras de uma menina de oito anos de idade):
“_ Comida?! Que comida?! Eu não tenho comida não! Olha Cris, eu não tenho feijão pra colocar na panela! Eu não tenho arroz pra colocar no fogo! Eu abro o armário da minha casa e não tenho nada! Eu não tenho nem infância se você quer saber. Minha vida é tomar conta dos meus irmãos.” (ela tem quatro irmãos – todos gerados por uma mulher de apenas 23 anos, que está grávida do sexto filho).
Era difícil acreditar que eu estava escutando aquelas palavras de uma menina de oito anos apenas. Virei meu rosto para o lado e respirei fundo, afim de conter as lágrimas que já queriam rolar. Por um instante eu não sabia o que dizer a ela afim de confortá-la, então já ia colocar em prática a minha tese: não sabendo o que fazer, abrace. Mas ela criou coragem e continuou ali, sentadinha ao meu lado fazendo a catarse que há muito precisava: “_Meu pai não quer nada. Meu pai só quer saber de bar e de arranjar mulher na rua. Quando vai pra casa, é só pra brigar, pra gritar e bater. Não bota um quilo de nada dentro de casa! Você sabe quando eu me sinto feliz? Eu me sinto feliz quando tô aqui com você. Mas eu não tenho nada...! Nem lápis, nem tesoura, nem cola e nem pastinha preta para colocar os trabalhos”. ( e continua chorando).
Segurei as mãos dela e lembrei-a de que havia lhe dado um caderno de capa dura há alguns dias atrás, momento em que cantei a música do Toquinho ( O caderno). Ela me disse que estava cuidando direitinho dele, como o Toquinho dizia. Então eu disse que queria que ela ficasse tranquila, pois se o lugar onde ela sentia felicidade era ali comigo, que eu lhe daria os materiais que ela não tinha. Naquele momento parecia que algo mágico havia acontecido, porque os olhos dela brilharam e ela abriu um sorriso gigante perguntando: “_Você vai me dar canetinha também???”.
Este é o nosso mundo real. Este é o cotidiano de muitas crianças que estão dentro de uma sala de aula buscando os últimos lugares (quando a disposição das carteiras ainda está na roupagem da escola tradicional). Este é um dos motivos da dificuldade de aprendizagem: a criança tendo roubada a sua infância. Esta é uma das causas da também famosa (e trágica) evasão escolar, que a cada dia vai nos roubando mais e mais crianças. Situação bastante contrária ao que nos prega a Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB ( 9.394, de 20 de dezembro de 1996): Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Como falar em desenvolvimento pleno do educando quando sabemos da desestruturação familiar, do desemprego, da desnutrição, da incapacidade das políticas de governo e da nossa própria incapacidade de lidar com tais problemáticas dentro de salas de aula sempre tão abarrotadas de crianças? São questionamentos para muitas outras discussões, para muitos outros nós que teremos que aprender a desatar. Por ora, o que posso dizer é que resolvi fazer uma parte que sei que não me custará muito. Se a fala da menina parecia tão amarga por não ter nada, e ao mesmo tempo esperançosa quando dizia que era ali, na escola que se sentia feliz, será então ali que ela terá o seu mundo mais colorido. Com aulas ainda mais divertidas, ainda mais poetizadas. E para ajudar a colorir o mundo dela, um estojo de canetinhas!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Uma reflexão de Neruda.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito repetindo todas os dias os mesmo trajetos.

Pablo Neruda

quinta-feira, 1 de abril de 2010

PARA OS QUE VIRÃO (THIAGO DE MELLO)

COMO SEI POUCO, E SOU POUCO,
FAÇO O POUCO QUE ME CABE
ME DANDO INTEIRO.
SABENDO QUE NÃO VOU VER
O HOMEM QUE QUERO SER.


JÁ SOFRI O SUFICIENTE
PARA NÃO ENGANAR NINGUÉM:
PRINCIPALMENTE AOS QUE SOFREM,
NA PRÓPRIA VIDA, A GARRA DA OPRESSÃO, E NEM SABEM.


NÃO, NÃO TENHO O SOL ESCONDIDO
NO MEU BOLSO DE PALAVRAS.
SOU SIMPLESMENTE UM HOMEM
PARA QUEM JÁ A PRIMEIRA
E DESOLADA PESSOA
DO SINGULAR FOI DEIXANDO,
DEVAGAR, SOFRIDAMENTE,
DE SER, PARA TRANSFORMAR-SE,
NA PRIMEIRA E PROFUNDA PESSOA
DO PLURAL.


NÃO IMPORTA QUE DOA:É TEMPO
DE AVANÇAR DE MÃOS DADAS
COM QUEM VAI NO MESMO RUMO,
MESMO QUE LONGE AINDA ESTEJA
DE APRENDER A CONJUGAR
O VERBO AMAR.

É TEMPO SOBRETUDO
DE DEIXAR DE SER APENAS
A SOLITÁRIA VANGUARDA
DE NÓS MESMOS.

TRATA-SE DE IR AO ENCONTRO.
(DURA NO PEITO, ARDE A LÍMPIDA VERDADE DE NOSSOS ERROS).
TRATA-SE DE ABRIR O RUMO.


OS QUE VIRÃO, SERÃO POVO,
E SABER SERÃO, LUTANDO.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Pensemos!



'O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons.'
Martin Luther King

domingo, 28 de março de 2010

Vale a reflexão deixada por Chico Xavier

“Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por conta própria”. ( Chico Xavier)

“O exemplo é uma força que repercute, de maneira imediata, longe ou perto de nós... Não podemos nos responsabilizar pelo que os outros fazem de suas vidas; cada qual é livre para fazer o que quer de si mesmo, mas não podemos negar que nossas atitudes inspiram atitudes, seja no bem quanto no mal”. ( Chico Xavier)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Ainda existem tantos absurdos por aí.




Como de costume, entro na net e vejo as novidades postadas pelos blogueiros que eu sigo. Hoje me deparei com um post da Tati Martins, do blog "MULHER É DESDOBRÁVEL. EU SOU". Apesar do sono e do cansaço que tomam conta de mim depois de uma semana me desdobrando em várias nas duas turmas de terceiro ano que peguei esse ano, resolvi responder ao post da Tati e também postar algo em meu blog. Para que vocês entendam, vou colocar aqui a angústia da Tati, a minha e a de todos aqueles que não estão em sala de aula como figurantes:
Por Tati Martins:
AÇÃO DE PROFESSORA DO INÍCIO DO SÉCULO XX ( OU SERÁ XIX?)

No fim de semana passado, meu filho de 11 anos chegou com um pequeno e delicado dever de casa de Língua Portuguesa. Ele precisava simplesmente fazer a transcrição fonética de todas as palavras do "Pai Nosso" e da "Ave Maria". Isso mesmo, dessas duas orações!
.
Como foi minha opção colocá-lo em um colégio católico, o problema aqui não é misturar religião/oração com atividades escolares. Mas a questão continua sendo extremamente grave. Além de a atividade ser chata, cansativa e sem nenhuma utilidade prática e real para a vida de uma criança, ela leva a um duplo desserviço: detonar o gosto pela Língua Portuguesa e pela religiosidade.
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Passamos anos vendo nossos filhos em formação inicial serem massificados por classificações quanto à acentuação, quanto ao número de sílabas, por dígrafos, hiatos... E onde fica o real trabalho de leitura, de desenvolvimento do prazer pela leitura?!
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No meio disso tudo, há um ponto muito curioso: Fonética e Fonologia já não fazem parte do currículo oficial de Língua Portuguesa da Educação Básica há mais de três décadas! E minha filha, quatro anos atrás na mesma série e no mesmo colégio, não foi sacrificada com esse conteúdo (era outra professora).

Deixo aqui duas, das inúmeras perguntas que rondam minha cabeça:
Numa época em que a leitura, o entendimento de um texto, o gosto pelo/a texto/leitura têm de ser desenvolvidos com muita intensidade e cuidado, por que retroceder e colocar no programa da série algo que não mais faz parte do currículo?
Para esse conteúdo entrar no programa, outro teve de sair, afinal o tempo é o mesmo. Qual terá sido? (Suspeito que o árduo e subjetivo trabalho com a leitura, pois não é qualquer professor que se aventura a mergulhar nesse campo que, com certeza, dá muito mais trabalho para ele.)




Olá Tati. Infelizmente a nossa área está recheada de uma gente que não sabe o que está fazendo em sala de aula. É muito mais cômodo, para essas pessoas que não querem ter trabalho, encherem o quadro de asneiras e sentarem o bumbum na cadeira para lerem as revistinhas de mediocridades. Para essas, formação continuada é algo supérfluo. Mais interessante é saber das fofocas das novelas, dos últimos acontecimentos da Caras e todas as baboseiras que cercam a televisão. Minha avó fala um ditado popular que considero perfeito num caso assim: "Quem não tem, não pode dar". Fica complicado o professor que não lê, que não busca informações a respeito dos progressos na área e que não estuda, incentivar a leitura. O que lhe sobra? Passar essas malditas atividades mecânicas e enfadonhas que só fazem as crianças crescerem com desprazer em estudar. Prática muitas vezes incoerente com a fala que nosso colega cospe por aí. Ah, maldita falácia!!!

quarta-feira, 3 de março de 2010

As crianças aprendem aquilo que vivem.




Há alguns dias recebi um e-mail de uma amiga de profissão com esse vídeo. Lembrei-me de uma palestra sobre Educação em Valores Humanos da qual participei, em dizíamos exatamente que A CRIANÇA APRENDE PELO QUE VÊ, NÃO PELO QUE FALAMOS. E, como nada acontece por acaso, pedi o material escolar da minha priminha de 7 anos emprestado e dei de cara com uma mensagem que é o título desse post.

Se uma criança vive criticada,
aprende a condenar.
Se uma criança vive com maus tratos,
aprende a brigar.
Se uma criança vive humilhada,
aprende a se sentir culpada.
Se uma criança é estimulada,
aprende a confiar.
Se uma criança é valorizada,
aprende a valorizar.
Se uma criança vive no equilíbrio,
aprende a ser justa.
Se uma criança vive em segurança,
aprende a ter fé.
Se uma criança é bem aceita,
aprende a respeitar.
Se uma criança vive na amizade,
aprende a ser amiga,
aprende a encontrar o amor no mundo.
(Perdoem a falta da citação, mas não encontrei-a.)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

As mãos que afagam, muitas vezes são as que também machucam.




Rio de Janeiro, 27 de fevereiro de 2010.
1h 21min


Não vou querer me despir da dor que está em meu peito agora, nem do mar que chega a meus olhos no momento em que escrevo esse texto. São eles, além de minha indignação, que nortearão cada ponto e cada vírgula aqui presentes.
Já comentei que o professor tem que segurar muitos trancos no exercício de sua profissão. Muitas vezes somos nós, que mesmo em salas de aula lotadas, não conseguindo dar atenção decente para todos, percebemos o quanto a violência contra a criança ainda é algo assustador no Brasil. Contrariando o ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente, que em tese levaria à criança o seu amparo total, o que se percebe é o crescimento da violência contra ela.
Certa vez, percebendo a mãozinha de um aluno meu com cicatriz de queimadura, perguntei-lhe o que havia acontecido. Na hora, percebi que ele desviou o olhar e, com pesar, disse que se queimara fazendo café. Guardei a fala dele para, num outro momento, trabalhar a questão da exploração infantil. Ainda que concorde que colocar as crianças para ajudarem na rotina do dia-a-dia com tarefas simples e não perigosas seja algo saudável, ensinando-lhes sobre cooperação, colocar uma criança de apenas 7 anos para fazer café é demais! Mas ao lembrar do momento em que lhe perguntei sobre o que havia acontecido, algo me intrigou naquele pesar presente nos olhos do menino. Fiquei de olho! Sempre solicitava a presença de algum responsável, mas passei um ano inteiro sem conhecer qualquer membro da família dele. Tentei entrar em contato por telefone, mas não obtive sucesso nas tentativas.
Como havia me apaixonado por essa turma, resolvi acompanhá-la por mais um ano. Eis que na primeira reunião escolar, apareceu a avó desse menino. Era a primeira vez que alguém responsável por ele aparecia na escola. Iniciei uma conversa agradecendo a presença dela ali e elogiando o menino, que era uma criança adorável e esforçava-se para superar todos os obstáculos, sendo um ótimo aluno. A avó pediu desculpas pela ausência, justificando que trabalhava demais e que estava em briga judicial com a sua filha, pela guarda dele. Considerando o fato estranho, demonstrei curiosidade pelo caso. Ouvi, estarrecida, a avó relatar que a filha dela, juntamente com o padastro do menino, haviam colocado a mão dele na chapa, o que provocou queimaduras gravíssimas. Como a avó só tomou conhecimento do caso horas depois, o menino demorou a receber atendimento. Não consegui ouvir tal história sem me emocionar. Então era esse o motivo daquele olhar perdido enquanto ele contava algo que talvez tenha sido induzido: que fora fazendo café que provocara a queimadura.
Fiquei pensando a respeito, tentando imaginar quantos casos de violência passam despercebidos pelo olhar do professor em sala de aula... Quantos dos nossos alunos não trazem em sua vivência as marcas de uma violência que nem sempre se faz física? ... Emocional ou corporal, o que cumpre sinalizar é que precisamos estar atentos aos sinais que as crianças nos trazem: estarem muito retraídas ou muito agitadas, não brincar, desconversar quando se pergunta algo sobre a família, tristeza contínua, enurese, baixo rendimento, desinteresse etc.
Uma vez que se observe casos de violência física, emocional e de abusos sexuais, é preciso chamar a família, fazer a anamnese e caso o problema persista, cabe a escola denunciar ao Conselho Tutelar, esperando que providências sejam tomadas.
Casos que são levados ao socorro emergencial, obrigatoriamente, devem ser denunciados pelos médicos, aos organismos responsáveis pela proteção adequada do menor. Os médicos devem informar às famílias diretamente sobre a denúncia que será feita, explicando que se trata de um esforço para esclarecer a situação e obter ajuda para a criança e sua família.
O abuso físico é, geralmente, repetitivo e sua severidade tende a aumentar a cada nova investida. Qualquer lesão suspeita deve ser adequadamente investigada, considerando-se a incerteza quanto à possibilidade de acontecer uma nova chance de intervenção, além da prevenção contra consequências mais graves.
O local mais acometido pelos maus-tratos no corpo da criança e do adolescente é a pele. Tipos de lesão incluem desde vermelhidão, equimoses ou hematomas até queimaduras de 3º grau. É comum haver marcas do instrumento utilizado para espancar crianças ou adolescentes: elas podem apresentar forma de vara, de fios, de cinto ou até mesmo da mão do agressor.
Um outro dado que merece nossa atenção é saber que a violência contra a criança está presente em todas as camadas sociais, e não somente, como equivocadamente pensam alguns, nas classes menos favorecidas.
O assunto nos abre um leque de possibilidades de discussões, mas por agora, deixo um pedido aos colegas de profissão: estejam atentos! Muitas vezes, ficamos receosos de tomar atitudes que possam prejudicar ainda mais a criança, tal como a retirada de seus lares e a ida para abrigos, o que provocará mais danos ao seu já fragilizado sistema emocional. Mas não podemos nos esquecer que precisamos ter um olhar e uma escuta muito sensíveis para essas crianças, o que já é uma intervenção.

Art. 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente - É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. (…)


“A palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes”.
(Albert Einstein)



Puxão de cabelo, com possibilidade de trauma no couro cabeludo.




Síndrome da criança sacudida (Shaken Baby Syndrome), com possibidades de hemorragias intra-cranianas.




Criança amarrada e amordaçada.



Criança com marcas de cordas amarradas no pulso.




As queimaduras por cigarro são geralmente feitas nas palmas das mãos, solas dos pés e nádegas. Queimaduras em vários estágios de evolução indicam abusos frequentes.



As queimaduras por utensílios domésticos aquecidos como garfos, facas, colheres são frequentes. Na ilustração, queimadura típica por ferro elétrico.



A cabeça é das regiões do corpo uma das que mais sofre agressões.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Agora é pra valer! O ano começou!!!

Acabou o Carnaval, e enfim o ano começa (rs)
Para nos lembrar que romper paradigmas é essencial para avançarmos, trago Fernando Pessoa:

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas já usadas, que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia,e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".



Com o desejo de que possamos nos abrir para novas ideias, novos caminhos e novas propostas, deixo aqui o meu carinho.

Um excelente retorno a todos!

UNIÃO.




Seremos muito mais se nos permanecermos JUNTOS!

EU NÃO SOU VOCÊ, VOCÊ NÃO É EU - MADALENA FREIRE




Agradecendo a minha orientadora Hilda Santos pela partilha do maravilhoso texto EU NÃO SOU VOCÊ, VOCÊ NÃO É EU, de Madalena Freire, deixo para vocês as muitas reflexões que essa leitura proporciona.


EU NÃO SOU VOCÊ, VOCÊ NÃO É EU

Eu não sou você
Você não é eu
Mas sei muito bem de mim
Vivendo com você.
E você, sabe muito de você vivendo comigo?
Eu não sou você
Você não é eu.
Mas encontrei comigo e me vi
Enquanto olhava pra você
Na sua, minha insegurança
Na sua, minha desconfiança
Na sua, minha competição
Na sua, minha birra infantil
Na sua, minha omissão
Na sua, minha firmeza
Na sua, minha impaciência
Na sua, minha prepotência
Na sua, minha fragilidade doce
Na sua, minha mudez aterrorizada
E você se encontrou e se viu, enquanto olhava pra mim?
Eu não sou você
Você não é eu.
Mas foi vivendo minha solidão
Que conversei com você
E você, conversou comigo na sua solidão?
Ou fugiu dela, de mim e de você?
Eu não sou você
Você não é eu
Mas sou mais eu, quando consigo lhe ver.
Porque você me reflete
No que eu ainda sou
No que já sou e
No que quero vir a ser…
Eu não sou você
Você não é eu
Mas somos um grupo, enquanto somos capazes
de, diferenciadamente,
eu ser eu, vivendo com você e
você ser você, vivendo comigo.
( Madalena Freire)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Seja a diferença que você espera ver no mundo.


"O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente." [ Ghandi ]

Natal chegando, pessoas refletindo e fazendo um balanço do ano que está prestes a se despedir... Algumas pensam em perdão, outras pensam em compras. Algumas pensam no que podem melhorar no ano que virá, outras pensam no que fazer para ganhar mais dinheiro... O que vai dentro de cada um, só pode ser refletido e melhorado pela própria pessoa. O que importa é que saibamos que o que virá depende do que estamos fazendo hoje, tal qual nos diz a frase de Gandhi: O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.
Nossos desejos às pessoas quando chega o Natal costumam ser de paz, amor, felicidade, saúde, prosperidade. Que caminhos escolher para que esses desejos possam se realizar? FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM. Isso sim é a materialização do AMOR.
O que deixo de mensagem para vocês, blogueiros que estiveram por aqui, aprendendo e ensinando, é que "Não há caminho para a paz, a paz é o caminho." [ Ghandi ]
Que nosso 2010 seja de muitos aprendizados e grandes realizações!
Namastê!!! OM SHANT!