Escolhidas a dedo para você ouvir!

domingo, 10 de abril de 2011

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO - O PATO

Essas atividades são algumas das sugestões que posto para o trabalho com um projeto em literatura infantil. O ponto de partida foi a música O PATO, do Vinícius e Toquinho.

Dois vídeos bem gracinhas com a música O PATO:








Exploração do texto - a canção O PATO.
*Quantas vezes você vê a palavra PATO?
*Quais os bichinhos que aparecem na música?
*Qual a maior palavra?
*Quais palavras não conhecemos e precisamos descobrir?
*Quantos versos tem a canção?

DESAFIO: quem trouxer um JENIPAPO para a escola ganhará um brinde.

Percebendo o cheiro do JENIPAPO. (Trabalhando os sentidos - Ciências)
Experimentando o JENIPAPO. (Trabalhando os sentidos - Ciências)
(Atividade lógica - GRÁFICO DE PREFERÊNCIA)
(Atividade lógica - GRÁFICO DE PREFERÊNCIA)
(Modelagem - palavra PATO)
(Onde tem a sílaba PA? - CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA)

* Consciência fonológica; produção pictórica; paradigma com a sílaba PA :



(Confeccionando cartaz - PARADIGMA com a sílaba PA)


(Mural com produção coletiva de texto, gráfico e exploração do gráfico) Atividade com dobradura, realizada pela minha amiga Jade com sua turminha:

Ficou muito lindoooooooooooooooo!

Atividades realizadas pela minha amiga Denize com a sua turminha:

*Explorando a biografia do POETINHA. O que é positivo? O que é negativo?
Trabalhando com a canção (PROFESSORA DENIZE)


Adorei! Ela deu um show!

Quem veio nos visitar? Vamos cantar a música e descobrir o que tem dentro da caixa?



(Nossa mãe convidada para participar da aula - foi ela quem venceu o desafio de trazer um pato para a escola; eu ajudando Cauã, nosso aluno que tem autismo, a perceber o pato).


(E foi uma festa só! Todos queriam ver de pertinho comp era o pato)


(Nossos patinhos)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Chico Alencar analisa o triste episódio de Realengo

A MATANÇA NA ESCOLA

por;Chico Alencar*


“Um grito ouviu-se em Ramá, de pranto sentido e lamentação: é Raquel que chora seus filhos, e não quer ser consolada, porque eles não existem mais” (Mt, 2, 18)
A dor indizível e inconsolável das famílias que perderam suas crianças, até há pouco alegres alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio, exige de nós consternada solidariedade. Ter filhos, netos, irmãos, primos ceifados no alvorecer da vida é a pior tragédia que pode acontecer, e só o conforto humano e alguma fé dará forças para seguir sobrevivendo. Perdê-los no espaço sagrado de uma sala de aula, no início da manhã ensolarada, é mais absurdo ainda.
Mas o acontecimento terrível também impõe profunda reflexão. Uma tragédia como esta não se insere no painel tristemente costumeiro da criminalidade, mas no da violência social insana. É difícil reconhecer que os gatilhos exterminadores também foram, de maneira indireta e invisível, apertados por todos os que temos responsabilidade pública. Mas a matança perpetrada por um indivíduo mentalmente degradado tem propulsores sociais que nos dizem respeito.
O assassino estava com dois revólveres e fartamente municiado porque é frouxo o controle da circulação de armas e munições em nosso país. O armamentismo ilegal é objeto de crescente tráfico, e favorecido também pela cultura importada do ‘cada indivíduo uma arma’;
O criminoso imbuiu-se de uma ‘missão de terror’ porque os meios de comunicação de massa e de ‘entretenimento’ disseminam serial killers, vídeo-games, filmes e seriados propagadores da violência, da eliminação dos adversários como valor maior, do espetáculo da destruição;
O demente, no seu isolamento, em sociedade sem política pública preventiva de saúde mental, cristalizou comportamento mórbido talvez também estimulado por fanatismos e pseudo religiosidade sectária;
O matador encontrou facilidades no seu trajeto de morte porque nossas precarizadas escolas públicas já não têm quantitativo de servidores, dentro delas e no seu entorno, que possa contribuir para maior segurança do cotidiano pedagógico.
O homicida, já condenado definitivamente, foi produzido, de alguma maneira, também por nossa omissão, por nossa indiferença, por nossa demissão cidadã. Talvez por nossa adesão ao mundo torpe da competição desvairada, da eliminação do outro, do desprezo pela dignidade da vida humana. Ambiente civilizatório perverso que muito(a)s educadore(a)s – tantas vezes vítimas dele - lutam por transformar, para que nossas crianças tenham possibilidade de futuro.

Chico Alencar


Deputado Federal PSOL/RJ

domingo, 27 de março de 2011

Páscoa - sugestões

Partilho com vocês a ideia de Páscoa sugerida pela minha amiga de trabalho Raquel Ferreira. Achei uma gracinha, além de super-fácil.

Material: filtro de cafeteira, coelho em cartolina e material para pintura.






segunda-feira, 21 de março de 2011

ESCUTATÓRIA - Rubem Alves

Por Rubem Alves
Escutatória

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".
Filosofia é um monte de ideias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas.
Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios.
Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, [...]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as ideias estranhas.). Todos em silêncio,
à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais.
São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.
Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

(Rubem Alves)

sábado, 19 de março de 2011

Jogo da Memória para alfabetização


Material: cartolina com desenhos e letras.

*Passe contact para que o jogo dure mais e possa ser manuseado sem sujar.

Desenvolvimento: Os alunos devem encontrar os desenhos e
juntá-los às letras iniciais de cada figura.

As cartas ficarão distribuídas sobre a mesa e os alunos deverão
ir virando-as. Quando achar o par ou seja o desenho
correspondente com sua letra inicial, eles ficarão com a cartinha
para ser pontuado no fim do jogo.
Ganha o jogo quem fizer mais pares.


* Créditos de imagem do blog MANUAL DE ALFABETIZAÇÃO.

Sermão da Montanha - *versão para educadores

Nem o Senhor Jesus aguentaria ser um professor nos dias de hoje....

O Sermão da Montanha
(*versão para educadores*)

Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.

Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.
Tomando a palavra, disse-lhes:
Em verdade, em verdade vos digo:
- Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque eles...?

Pedro o interrompeu:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

André perguntou:
- É pra copiar?

Filipe lamentou-se:
- Esqueci meu papiro!

Bartolomeu quis saber:
- Vai cair na prova?

João levantou a mão:
- Posso ir ao banheiro?

Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?

Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!

Tomé questionou:
- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?

Tiago Maior indagou:
- Vai valer nota?


Tiago Menor reclamou:
-Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.

Simão Zelote gritou, nervoso:
-Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?

Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!


Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está fazendo é uma aula?
Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica?
Quais são os objetivos gerais e específicos?
Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

Caifás emendou:
- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?

Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade.
Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.
E vê lá se não vai reprovar alguém!

E,foi nesse momento que Jesus disse:
-"Senhor,por que me esquecestes?!..."

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Mais atividades sobre o Carnaval

























Todas as atividades postadas foram encontradas na internet, diversos sites.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Alfabetização e letramento - Carnaval

TRABALHANDO COM LISTAS -

* Aqui houve a proposta da técnica BRAINSTORMING (TEMPESTADE DE IDEIAS) com o tema CARNAVAL. A turma, já dividida em grupos, precisava escolher um nome para caracterizar os componentes; nome este que deveria ser uma fantasia carnavalesca. Esses nomes foram anotados num quadro para haver pontuação à medida que fossem dizendo as palavras.
O CARNAVAL LEMBRA:

*Cada grupo tinha a sua vez e qualquer componente poderia falar. O grupo a seguir deveria estar antenado, pois não poderia repetir. O tempo ia sendo contado, e caso nenhum componente dissesse a palavra, o grupo esperava a próxima rodada e não marcava ponto.

Surgiram muitas palavras interessantes, tais como: reco-reco; samba; escola de samba; bateria; passarela; tambor; pandeiro; fantasia; microfone; dança; festa; chocalho; música; festa de rua; frevo; máscara; uma brincadeira; desfile ...

Após a tempestade, cada palavra da lista foi escrita na metade de uma folha de ofício. Cada criança recebeu uma palavra ( que foi escolhendo à medida que ia sendo lida) e realizou a produção pictórica. Montamos o mural. Seguem fotos dessa atividade que ainda renderá muitos frutos.



TRABALHANDO COM LISTAS -

sábado, 19 de fevereiro de 2011

" O abre alas que eu quero passar..."

Estamos aí: a um passo do Carnaval. É hora de aproveitar para colocar o bloco na rua e desfilar pela passarela das atividades culturais que fazem parte da nossa História.

ORIGEM -
Dê início às atividades propondo a descoberta da origem dessa festa popular, considerada uma das mais animadas do mundo.
O Carnaval teve sua origem com o ENTRUDO português, onde as pessoas jogavam umas nas outras água, ovos e farinha.
O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o Carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem européia.
O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem européia.
No Brasil, no final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos "corsos". Estes últimos, tornaram-se mais populares no começo dos séculos XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais.
No século XX, o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnavalescas. As músicas deixavam o carnaval cada vez mais animado.
Fonte: http://www.suapesquisa.com/carnaval/


MARCHINHAS -

Aqui pode-se propor pesquisa com os pais ou avós: qual marchinha você conhece? / Gosta de marchinhas?/ Conte uma história interessantes sobre o Carnaval etc.
O aluno levará as informações para partilhar com os outros colegas.

Sugestões de marchinhas que podem ser trabalhadas:

PIRATA DA PERNA DE PAU ( as crianças podem confeccionar acessórios, tais como a bandana do pirata e o tapa olho).

Eu sou o pirata da perna de pau
Do olho de vidro da cara de mau
Minha galera Dos verdes mares não teme o tufão
Minha galera
Só tem garotas na guarnição
Por isso se outro pirata
Tenta a abordagem eu pego o facão
E grito do alto da popa:
Opa! homem não!


SASSASSARICANDO
Sassassaricando
Todo mundo leva a vida no arame
Sassassaricando
A viúva o brotinho e a madame
O velho na porta da Colombo
É um assombro
Sassaricando
Quem não tem seu sassarico
Sassarica mesmo só
Porque sem sassaricar
Essa vida é um nó


MAMÃE EU QUERO - (Fantasia com acessórios- CHUPETAS E MAMADEIRAS)
Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar!
Dá a chupeta, dá a chupeta, ai, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar!

*Obs: a letra é maior, mas a fim de levar a criança a trabalhá-la na alfabetização, coloquei só o refrão.


CHIQUITA BACANA


Chiquita bacana lá da Martinica
Se veste com uma casca de banana nanica
Não usa vestido, não usa calção
Inverno pra ela é pleno verão
Existencialista com toda razão
Só faz o que manda o seu coração.

MARCHA DO REMADOR
Se a canoa não virar,
Olê olê olê olá
Eu chego lá

Se a canoa não virar,
Olê olê olê olá
Eu chego lá

Rema, rema, rema, remador
Quero ver depressa o meu amor
Se eu chegar depois do sol raiar
Ela bota outro em meu lugar



A JARDINEIRA


Oh! jardineira porque estás tão triste?
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a camélia que caiu do galho,
Deu dois suspiros e depois morreu.

Vem jardineira! Vem meu amor!
Não fiques triste que este mundo é todo seu.
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu.

MULATA BOSSA NOVA

Mulata bossa nova
Caiu no Hully Gully
E só dá ela.
Ê! Ê! Ê! Ê! Ê! Ê! Ê! Ê!
Na passarela.

A boneca está
Cheia de fiufiu,
Esnobando as louras
E as morenas do Brasil.


* Há muitas outras. Pode-se trabalhar de acordo com a região em que está. No Rio de Janeiro, é claro que não pode faltar CIDADE MARAVILHOSA.









sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Por Celso Antunes, O MERCADO DOS SONHOS

Olá galerinha. Estamos de volta para borboletar por mais um ano. Férias merecidas e muito bem aproveitadas. Para darmos boas-vindas a todos segue um texto do maravilhoso Celso Antunes que fala de sonhos, do deslumbre pelo que é apenas visível aos olhos. Enfim, tirem suas conclusões! Levem-no para a sala de aula para ser discutido em equipe. Dá margem a vários apontamentos.
Um grande beijo para todos e os meus mais sinceros desejos de UM EXCELENTE ANO LETIVO para todos nós!


POR CELSO ANTUNES,
O MERCADO DOS SONHOS

Foi um verdadeiro drama para a família de Cristiana. O pai, promovido em poderosa transnacional onde era executivo de destaque, teve de mudar da pequena cidade interiorana para a maior megalópole da América do Sul. Recompondo sua vida às pressas, ainda teve tempo de procurar uma escola para sua única filha. Com o novo salário que receberia e com a importância do cargo assumido, tratou logo de buscar a melhor escola, poderosamente encravada no bairro de caros apartamentos e mansões dos sonhos. Ouviu lindos discursos pedagógicos e a funcionária responsável pelas Relações Institucionais tratou de mostrar as salas limpíssimas, os laboratórios modernos e o material pedagógico escrito sob a mais rigorosa supervisão de Vigotsky, Piaget e muito mais. Não teve dúvidas: matriculou Cristiana na hora, lamentando o tempo perdido na modesta escolinha do interior.
Mas, Cristiana teve sérios problemas de adaptação. Não teve problemas de aprendizagem e com surpreendente facilidade, rapidamente destacou-se como uma das melhores alunas da sua classe. Os resultados eram excelentes e os elogios imensos, mas ainda assim Cristiana transformou-se numa criança infeliz. Sentia saudades.
Saudade da escolinha onde, ao lado das Ciências, aprendeu a cozinhar, consertar eletrodomésticos e olhar pela primeira vez um motor de automóvel. Saudade da Júlia, que ensinava Artes, estimulava esculturas com o barro do riacho, cobria as paredes de pinturas feitas por alunos e os fazia compositores de músicas que já não ouvia na linda escola de agora. Cristiana, ao lado de professores anódinos que transitavam por sérios problemas epistemológicos, não podia esquecer o dia em que sua classe incorporou-se ao trabalho dos lixeiros e saiu pela cidade em uma campanha pela vida, e nem mesmo suas visitas a feirantes, policiais, mecânicos e enfermeiros. Cristiana não podia deixar de lembrar o jeitão simples do Tonico, o professor de Geografia que fazia excursões de bicicleta para ensinar relevo e os obrigava a assistir o Jornal Nacional para aprender agitos internacionais – Meu Deus, onde ficara aquela História dos conflitos de todo dia, a Química nos cosméticos e nos perfumes levados de casa e a Física dos arremessos de vôlei ou corridas de Fórmula 1?
Foi impossível para Cristiana sepultar em suas lembranças os dias de sol de uma escolinha onde o que de mais importante aprendia era o aprender a aprender. Onde decifrou o que era uma pesquisa, diferenciou análise de síntese e soube aplicar em problemas novos, soluções conquistadas. Onde, pacientemente, construiu inevitáveis conexões entre a vida e as disciplinas escolares.
Na escola de sua saudade ficavam guardadas para sempre os toscos caipiras que a ensinaram a descobrir e que a estimularam a comparar, deduzir, classificar, construir.
Nunca mais foi possível em sua nova escola brincar de aprender. Aprender a brincar.